A secção “Do Papel à Rua” revela o percurso visual e conceptual que conduziu à materialização da identidade da Cidade Europeia do Desporto no espaço urbano.

O ponto de partida deste processo foi profundamente pessoal: através de esboços manuais e maquetas desenhadas pelo diretor criativo, iniciou-se uma reflexão prática sobre as necessidades de comunicação e as ideias-chave que deveriam orientar a intervenção gráfica no território. Estes registos, como os que aqui se apresentam, evidenciam a importância do gesto inicial no papel — onde a cor, a disposição dos elementos e as áreas de atuação começaram a ganhar forma — e constituem a base sensível sobre a qual se desenvolveram as soluções finais.

A transição destes elementos gráficos, inicialmente concebidos em ambientes digitais e vetoriais, para suportes físicos de grande escala — como outdoors, mupis, faixas, sinalética e dispositivos móveis — exigiu um rigoroso trabalho de adaptação técnica e formal. Não se tratou apenas de ampliar peças, mas de ressignificá-las em função do espaço urbano e do público-alvo, garantindo legibilidade, impacto visual e coerência com a narrativa institucional.

Mais do que suportes promocionais, estas peças tornaram-se verdadeiros agentes comunicacionais.
A sua presença na cidade contribuiu para estruturar simbolicamente o evento, orientar públicos, identificar locais e ativar visualmente o conceito da CED 2015.
A identidade saiu do papel para habitar ruas, praças e equipamentos, criando uma paisagem gráfica envolvente, participativa e memorável.
Este processo visual para um evento desta escala começou muito antes da produção: nasce na relação entre intenção, forma e espaço — e nos primeiros riscos lançados a traço livre sobre o papel.

Exemplos de processos pessoais de brainstorming para possiveis necessidades do evento e comunicação (sketch).

Animação para a cerimonia de inauguração
Animação para a cerimonia de inauguração

Embora técnica na sua aplicação, esta abordagem manteve um caráter prático e opcional que não é obrigatório na area da comunicação mas, que funcionou como um instrumento de análise e decisão criativa que antecedeu a formalização e concepção digital.

O sketching permitiu ainda antever a adaptabilidade das propostas a múltiplos cenários e suportes, garantindo no fim uma base sólida para a coerência da comunicação e visual da identidade da C.E.D. ao longo da sua implementação.

Pode-se ver mais alguns exemplos em baixo:

 

Fluxograma de produção de formatos para eventos e projetos CED
Fluxograma de produção de formatos para eventos e projetos CED

Por fim podemos observar neste  fluxograma que documenta o processo que foi seguido no desenvolvimento e implementação de formatos visuais e comunicacionais no âmbito dos eventos da Cidade Europeia do Desporto de 2015.

O percurso iniciava-se com a função criativa, desempenhada pelo Diretor Criativo e pelo Designer Assistente, responsáveis pela conceção dos formatos. Em seguida, a etapa de produção, distribuição e montagem era atribuída a empresas especializadas, que asseguravam a materialização dos elementos concebidos. Este processo incluía também a logística necessária à instalação dos materiais no local do evento, garantindo a coerência entre o planeamento gráfico e a execução prática.

Na fase final, o fluxograma integrava o envolvimento de técnicos superiores de desporto, que articulavam a montagem e a implementação em função da natureza de cada evento ou projeto CED se assim o fosse necessário. Esse processo culminava na realização concreta de competições ou iniciativas, exemplificadas pelo Triatlo Carlos Gravata Cidade de Quarteira, pelo Triatlo Internacional do Algarve e pela Meia Maratona.

A representação visual era ainda complementada por os exemplos que podem ver no fluxograma como exemplos  de produtos gráficos desenvolvidos — faixas, t-shirts, roll-ups e sinalética — que demonstravam a diversidade de formatos e a aplicabilidade prática do trabalho criativo no reforço da identidade e comunicação do evento.